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OE 2026 – medidas previstas no Orçamento de Estado 2026
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OE 2026: as medidas que vão mexer com a carteira dos portugueses
O Governo Português apresentou no Parlamento a proposta do Orçamento do Estado para 2026, um documento que traz ajustes fiscais, reforços sociais e mudanças estruturais que terão impacto direto nas finanças pessoais de milhões de cidadãos. Desde a descida das taxas de IRS ao aumento do Complemento Solidário para Idosos, passando pelo fim de impostos extraordinários, o novo Orçamento de Estado 2026, promete melhorar o equilíbrio financeiro das famílias e das empresas em 2026.
Um orçamento voltado para o rendimento das famílias e a estabilidade das contas públicas
Com o país a manter um excedente nas contas públicas, o Governo aposta em medidas que procuram aumentar o rendimento disponível, corrigir desigualdades e estimular o investimento, ao mesmo tempo que garantirá equilíbrio orçamental e confiança junto de Bruxelas.
A proposta do OE2026 já se encontra disponível no site oe.gov.pt. Este portal servirá não só para disponibilizar os documentos referentes ao Orçamento do Estado, como para apresentar, de forma sistematizada, as medidas previstas para o próximo ano. Vejamos algumas das medidas principais que o compõem.
Apresentação das medidas do Orçamento de Estado 2026
O OE2026 reúne um conjunto de medidas que procuram equilibrar responsabilidade fiscal e o apoio económico, dividindo-se entre reduções de impostos, aumentos de prestações sociais, incentivos à juventude e à habitação e reformas no setor empresarial.
Abaixo, apresentamos um resumo das principais propostas apresentadas influenciar o seu orçamento pessoal e familiar ao longo do próximo ano:
- Redução das taxas de IRS e atualização dos escalões.
- Reforço do Complemento Solidário para Idosos e atualização das pensões.
- IMT Jovem com isenção até 330.500€.
- Descida do IRC e taxa reduzida para PME.
- Fim do imposto adicional sobre a banca.
- Manutenção do desconto no ISP e subsídios aos combustíveis agrícolas.
- Atualização do abono de família.
- Salário mínimo poderá aumentar.
- Subsídio de desemprego poderá prolongar-se.
- Ciência e Inovação.
A seguir, explicamos cada medida, como funciona, quem abrange e qual é o impacto prático no seu bolso.
1 - IRS: descida adicional e atualização dos escalões
O Orçamento do Estado para 2026 confirma um novo alívio fiscal para quem se encontra nos escalões intermédios do IRS.
As taxas marginais do 2.º ao 5.º escalão descem 0,3 pontos percentuais, passando a 15,7%, 21,2%, 24,1% e 31,1%, respetivamente.
Em simultâneo, os limites de rendimento de cada escalão são atualizados em 3,51%, acompanhando a variação prevista dos salários e evitando que a inflação empurre contribuintes para escalões mais altos.
Na prática, esta conjugação de descida das taxas e atualização dos limites garante um ligeiro aumento do rendimento líquido mensal para a maioria dos contribuintes, especialmente trabalhadores por conta de outrem e independentes enquadrados entre o 2.º e o 5.º escalão. Casais com quociente familiar conjunto também sentirão o efeito, consoante a soma dos rendimentos.
Novos escalões de IRS para 2026 (proposta do Governo)
| Rendimento coletável (€) | Taxa Média (%) | |
|---|---|---|
| Até 8 342 | 12,50 | 12 500 |
| De mais de 8 342 até 12 587 | 15,70 | 13 579 |
| De mais de 12 587 até 17 838 | 21,20 | 15 823 |
| De mais de 17 838 até 23 089 | 24,10 | 17 705 |
| De mais de 23 089 até 29 397 | 31,10 | 20 579 |
| De mais de 29 397 até 43 090 | 34,90 | 25 130 |
| De mais de 43 090 até 46 566 | 43,10 | 26 472 |
| De mais de 46 566 até 86 634 | 44,60 | 34 856 |
| Superior a 86 634 | 48,00 | — |
Esta atualização também mantém a isenção de IRS e TSU sobre prémios de produtividade e desempenho até 6% da retribuição base anual, reforçando o incentivo às empresas que valorizem o mérito.
Mesmo os contribuintes com rendimentos mais elevados beneficiam indiretamente, uma vez que o IRS é progressivo, ou seja, parte do seu rendimento é tributada a taxas inferiores, e qualquer descida nos primeiros escalões repercute-se em todo o cálculo.
Em resumo: taxas mais baixas, escalões atualizados e incentivo à produtividade resultam num pequeno, mas real, alívio fiscal em 2026. Vale a pena verificar o primeiro recibo de vencimento do ano e confirmar a retenção na fonte, pois um ajuste simples pode otimizar ainda mais o rendimento líquido mensal.
2 - CSI e pensões: reforço do complemento e atualização anual
Em 2026, a proposta do OE aumenta o Complemento Solidário para Idosos em 40€, fixando o referencial nos 670€, ao mesmo tempo que as pensões são atualizadas pela fórmula legal, indexada à inflação e ao PIB.
O que protege sobretudo quem tem rendimentos mais baixos: os idosos elegíveis para o CSI recebem mais todos os meses, e os pensionistas em geral veem a sua pensão ajustada para preservar o poder de compra.
Com ganhos reais prováveis nas pensões mais baixas. No conjunto, é um reforço direto do rendimento disponível para quem está mais exposto à subida de preços, com impacto imediato no orçamento familiar e previsibilidade ao longo do ano.
3 - IMT Jovem com isenção até 330.500€
Em 2026, o IMT Jovem passa a isentar IMT, Imposto do Selo e emolumentos na primeira habitação até 330.539€ (antes 324.058 €), elevando também o escalão seguinte, sujeito a taxa de 8%, para 660.982€.
Na prática, os jovens compradores, sobretudo em mercados urbanos onde os preços são mais elevados, encontram uma barreira de entrada mais baixa, porque a fatura na escritura encolhe significativamente, permitindo poupar milhares de euros e canalizar esse valor para a entrada, mobiliário ou margem de segurança no orçamento familiar.
4 - Empresas pagam menos IRC (19%); PME contam com 15% na primeira fatia de lucro
Em 2026, o IRC baixa de 20% para 19% e, para PME/Small Caps, a taxa aplicada aos primeiros 50.000€ de matéria coletável recua de 16% para 15%.
No terreno, isto traduz-se numa menor carga fiscal para todas as empresas, com efeito, especialmente visível nas PME, e numa ligeira melhoria de liquidez ao longo do ano, que pode ser canalizada para investimento, reforço de equipas ou amortização de dívida, contribuindo para maior resiliência financeira e capacidade de crescimento.
5 - Banca: fim do adicional de solidariedade e revisão da tributação
Em 2026, é extinto o Adicional de Solidariedade sobre o Setor Bancário na sequência da decisão do Tribunal Constitucional, abrindo caminho a devoluções estimadas em cerca de 200.000€ relativas a anos anteriores e deixando o Governo a trabalhar em novos modelos de tributação para o setor.
Para os clientes, o efeito é indireto e dependerá de como (e se) for redesenhado o enquadramento fiscal da banca e de quanto dessa alteração se refletirá em condições de crédito, comissões e preços nos próximos meses.
6 - Energia e combustíveis: desconto no ISP mantém-se; subsídios setoriais
Sem reversão imediata do desconto no ISP (Imposto Especial de Consumo de Eletricidade), o Executivo mantém o travão fiscal enquanto cria um subsídio de 0,062 €/L para gasóleo colorido e marcado destinado a pequenos agricultores, aquicultores e pesca artesanal (até 2.000 L/ano, com majoração para quem tenha estatuto de agricultura familiar); na prática, estes setores veem mitigados os custos operacionais com combustível, ao passo que os consumidores em geral não sentem alterações imediatas na fatura dos combustíveis por via do imposto.
7 - Abono de família: atualização pela inflação
O abono de família será atualizado em linha com a inflação, garantindo um ligeiro reforço do valor recebido ao longo de 2026 por parte dos agregados com dependentes abrangidos; é uma medida de manutenção do poder de compra que não altera regras de acesso, mas coloca alguns euros adicionais no orçamento mensal das famílias, com impacto acumulado ao longo do ano.
8 - Salário mínimo nacional: referência nos 920€ e impacto combinado com a isenção de IRS
No Orçamento do Estado para 2026, o salário mínimo nacional surge referenciado nos 920€, em linha com o acordo de valorização salarial assinado entre o Governo e os parceiros sociais, que prevê a progressão até 1.100€ em 2029.
Embora a decisão final dependa da concertação social, esta meta reforça o compromisso com o aumento do rendimento dos trabalhadores com salários mais baixos.
Combinado com a isenção total de IRS até 920€, o efeito líquido será uma melhoria direta no rendimento mensal, permitindo aos beneficiários ficar com mais dinheiro no bolso sem aumento da carga fiscal.
9 - Medida para desempregados: acumular parte do subsídio com salário
O Governo introduziu uma nova medida de incentivo à empregabilidade que permite a jovens desempregados com menos de 30 anos acumular parte do subsídio de desemprego com o salário de um novo emprego.
Durante o período remanescente do subsídio, será possível receber até 35% desse valor em contratos sem termo, ou 25% em contratos a termo.
O objetivo é facilitar o regresso ao mercado de trabalho, atenuar a perda de rendimento inicial e estimular a contratação de jovens com vínculos mais estáveis, sendo a candidatura realizada através do IEFP. A medida insere-se na estratégia de redução do desemprego jovem e de incentivo à formalização laboral.
10 - Ciência e Inovação: reforço de 8% no orçamento
O setor da ciência e inovação recebe em 2026 um reforço orçamental de 8%, equivalente a mais 40 milhões de euros face ao ano anterior.
Segundo o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, o objetivo é reforçar a investigação, fixar talento qualificado e melhorar a capacidade tecnológica e científica das universidades e centros de investigação.
Embora o impacto não seja imediato no bolso das famílias, esta aposta é estratégica para o crescimento económico, ao criar melhores oportunidades de emprego qualificado e aumenta o potencial produtivo do país a médio prazo.
O OE2026 combina assim alívio fiscal, reforço social e incentivos à habitação/emprego, com impacto distinto conforme o perfil de cada família ou empresa. Algumas medidas já têm efeito quase imediato (IRS, CSI, IMT Jovem), outras dependem de regulamentação ou concertação (SMN, incentivos ao emprego).
Lembre-se que estamos perante propostas e podem ser ajustadas no Parlamento.
Em síntese, o Orçamento do Estado para 2026 define o rumo da política económica e social para o próximo ano, mas deixa em suspenso várias frentes estruturais, desde a:
- Revisão do Imposto Especial de Consumo de Eletricidade (ISP).
- Trajetória do salário mínimo.
- Reprivatização da TAP.
- Novo pacote de habitação.
Cujos efeitos só deverão ser sentidos a partir de 2027. Estas matérias serão tratadas em diplomas próprios e dependem, em muitos casos, de negociação política ou concertação social, o que significa que o verdadeiro impacto global do orçamento ainda poderá evoluir nos próximos meses.
Com as propostas em discussão, seguem-se agora as principais datas do calendário parlamentar, onde o documento será debatido, ajustado e votado.
Calendário parlamentar do OE 2026
Após a entrega oficial da proposta na Assembleia da República, o Orçamento do Estado para 2026 entra agora na fase de debate parlamentar, o momento em que o documento é analisado, discutido e sujeito a possíveis alterações antes da aprovação final.
É nesta etapa que se definem os ajustes finais às medidas fiscais e sociais, e onde o impacto real do orçamento começa a ganhar forma.
- Discussão na generalidade: 27–28 de outubro de 2025.
- Votações na especialidade: a partir de 20 de novembro de 2025.
- Votação final global: 27 de novembro de 2025.
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- Categoria: Fiscalidade
- Publicação: 16:50 - 10/10/2025
- Última Atualização: 10:44 - 14/10/2025
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