Saiba o que são os escalões de IRS e como funcionam

Para muitas pessoas, o IRS continua a ser um daqueles temas que parece complicado à partida. Surgem os termos técnicos, as tabelas e as percentagens que tornam mais difícil de perceber, afinal, quanto se paga de imposto. No entanto, a base de tudo é mais simples do que aparenta e começa num conceito essencial: os escalões de IRS.

Os escalões de IRS existem para garantir que o imposto sobre o rendimento é aplicado progressivamente, ou seja, é ajustado à capacidade financeira de cada pessoa. Isto significa que não se paga a mesma taxa sobre todo o rendimento. O valor do imposto depende do rendimento coletável anual, e de outros fatores importantes, como as deduções fiscais e a situação familiar.

Quando este mecanismo é bem compreendido, torna-se mais fácil interpretar o salário líquido, perceber o impacto das retenções mensais e antecipar o ajuste final do IRS.

O que vai aprender neste artigo?

Compreender os escalões do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS) é essencial para perceber como o imposto é calculado. Também é importante para saber as razões pelas quais o valor descontado todos os meses nem sempre corresponde ao imposto final, e de que forma os fatores, como as deduções e a situação familiar, influenciam o resultado da declaração de IRS.

Neste artigo da UniPeople, explicamos os escalões de IRS de forma simples para conseguir interpretar melhor as tabelas, compreender o impacto no seu rendimento e tomar decisões mais informadas no momento de entregar o IRS.

O que irá encontrar neste conteúdo:

Ainda poderá consultar as perguntas frequentes sobre os escalões de IRS, que o podem ajudar a esclarecer outras dúvidas. Além disso, poderá saber como a UniPeople pode ajudar na entrega da declaração do imposto sobre os rendimentos. Iremos iniciar este artigo pela definição dos escalões do imposto para começar por entender melhor o conceito. Utilize o sumário seguinte para navegar facilmente pelo o artigo e ir para um tema do seu interesse.

Sumário

    O que são escalões de IRS?

    Os escalões de IRS são intervalos de rendimento coletável utilizados para calcular o imposto sobre o rendimento. Em vez de existir uma taxa única aplicada a todo o rendimento anual, o IRS está organizado por patamares, aos quais correspondem as diferentes taxas de IRS.

    Em cada escalão existem duas referências: a taxa normal, que se aplica à parte do rendimento que entra nesse escalão, e a taxa média, que reflete o peso total do imposto sobre o rendimento global.

    Quando o valor de rendimento anual coletável é igual ou inferior a 8342€ em 2026, não terá de aplicar ambas as taxas, somente uma.

    Para perceber melhor:

    • o rendimento é dividido por escalões;
    • a cada escalão corresponde uma taxa diferente;
    • as taxas aumentam à medida que o rendimento sobe.

    Assim, é importante reter que:

    • quem tem rendimentos mais baixos paga IRS a taxas inferiores;
    • quem tem rendimentos mais elevados paga IRS a taxas mais altas, mas só sobre a parte do rendimento que entra em cada escalão.

    Quer saber mais sobre IRS? Veja a nossa categoria do blog sobre o tema para ter acesso a mais artigos e esclarecer as suas dúvidas. Ou, então, continue a ler porque, a seguir, vamos explicar como funcionam estes escalões do imposto.

    Como funcionam os escalões de IRS?

    Os escalões de IRS seguem uma lógica progressiva, ou seja, o imposto é calculado gradualmente. Em vez de aplicar uma única taxa ao rendimento total, o IRS divide o rendimento coletável em parcelas, conforme os limites de cada escalão.

    Para calcular o imposto, o primeiro passo é apurar o rendimento coletável anual. Em seguida, divide-se esse rendimento pelos escalões de IRS aplicáveis.

    Na prática, só quem recebe mais de 8342€ (em 2026) ou até 8059€ (em 2025) anuais entra em mais de um escalão, tendo partes do rendimento tributadas a taxas diferentes.

    Este método garante que o IRS acompanha a evolução do rendimento de forma gradual, evitando que um aumento salarial resulte numa penalização desproporcionada no imposto a pagar. Para perceber melhor como esta lógica funciona, vejamos um exemplo simples. Antes de avançar, pode abrir num separador à parte para ler mais tarde o calendário de IRS 2026 UniPeople para certificar-se que cumprirá todos os prazos e datas importantes.

    Exemplo prático sobre escalões de IRS

    Imagine um contribuinte cujo rendimento coletável anual é de 25.000€. Este valor já resulta da aplicação das deduções previstas na lei aos rendimentos declarados, sendo o montante efetivamente utilizado para calcular o IRS.

    primeiro passo é identificar em que escalão este rendimento se enquadra.

    1 - Identificar o escalão correto

    • o 4.º escalão vai até 23.089€;
    • o 5.º escalão vai de 23.089€ a 29.397€.

    Como 25.000€ ultrapassa 23.089€, este rendimento enquadra-se no 5.º escalão.

    2 - Aplicar os cálculos

    Neste caso, utiliza-se a taxa média do escalão anterior e, depois, soma-se a taxa normal do escalão onde o rendimento efetivamente cai, aplicada apenas ao excedente.

    Passo A: IRS até ao limite do 4.º escalão

    O limite superior do 4.º escalão é de 23.089€. A taxa média do 4.º escalão é de 17,705%.

    Calculamos o imposto correspondente a esse valor:

    23.089€ x 17,705% = 4.087,91€

    Agora, vamos à segunda parte.

    Passo B: IRS sobre o excedente no 5.º escalão

    Agora calculamos apenas a parte do rendimento que ultrapassa os 23.089€:

    25.000€ – 23.089€ = 1911€

    Esta parte já está no 5.º escalão, pelo que se aplica a taxa normal (31,10%):

    1911 € × 31,10% = 594,32 €

    A seguir, vamos somar os valores calculados nestes dois passos.

    Passo C - Somar os dois valores

    Por fim, somamos o imposto apurado em cada parte:

    • IRS até 23.089€: 4087,91€.
    • IRS sobre o excedente: 594,32€.

    Sendo assim, o IRS total apurado (antes das deduções à coleta):

    4087,91€ + 594,32€ = 4682,23€

    O imposto total apurado é de 4682,23€, mas este valor ainda não é definitivo. A este montante podem ser aplicadas deduções fiscais e, só depois dessas deduções, é que se apura o valor final do imposto a pagar ou o eventual reembolso de IRS. Este exemplo ilustrativo baseia-se nos escalões de IRS 2026, aplicáveis à declaração de IRS a entregar em 2027.

    unipeople-solucoes-financeiras-como-calcular-o-irs-com-base-nos-escaloes
    Passo a passo: como calcular o IRS com base nos escalões

    Os escalões de IRS e a tabela de retenção na fonte são frequentemente confundidos, embora tenham funções distintas. A seguir, explicamos o que os distingue e por que é importante compreender ambos. Se pretender, pode simular gratuitamente o seu salário líquido com a UniPeople para saber exatamente quanto ganha este ano, mesmo com a retenção na fonte.

    Qual é a diferença entre escalões de IRS e as tabelas de retenção na fonte?

    Embora estejam relacionados, os escalões de IRS e a tabelas de retenção na fonte têm funções diferentes, as quais vamos explicar de forma simples.

    Em resumo:

    • os escalões de IRS permitem calcular o imposto final anual, com base no rendimento coletável;
    • a tabela de retenção na fonte possibilita adiantar mensalmente parte desse imposto, considerando o rendimento mensal e a situação familiar.

    Isto significa que:

    Os escalões de IRS determinam quanto imposto é realmente devido ao final do ano, enquanto a retenção na fonte define quanto imposto é descontado todos os meses ao longo do ano.

    É por isso que o valor retido mensalmente nem sempre coincide com o imposto final apurado na declaração de IRS, uma diferença que pode originar um reembolso ou num valor adicional a pagar, consoante a situação de cada contribuinte.

    Ou seja, funciona assim:

    • ao longo do ano, paga IRS por antecipação, através da retenção na fonte;
    • no momento da entrega da declaração, o IRS é recalculado com base nos escalões de IRS;
    • se reteve mais do que devia, recebe reembolso;
    • se reteve menos, terá imposto adicional a pagar.

    É esta diferença que explica porque o valor descontado todos os meses nem sempre coincide com o imposto final. Compreender esta relação ajuda a interpretar melhor o salário líquido e prepara o terreno para analisar, de forma mais concreta, as taxas aplicáveis em cada escalão de IRS. A seguir, mostramos a tabela de escalões IRS 2026.

    Escalões de IRS: tabelas com as taxas atuais

    Após compreender como funcionam os escalões de IRS, importa ver esta lógica aplicada numa tabela concreta. É aqui que se torna mais fácil perceber, visualmente, como o rendimento é enquadrado em diferentes escalões e como as taxas aumentam progressivamente. As tabelas abaixo apresentam a estrutura dos escalões de IRS e as respetivas taxas em vigor, e deve confirmar os valores todos os anos no Orçamento do Estado.

    Começamos por apresentar a tabela referente aos rendimentos de 2025, aplicada na declaração de IRS a entregar em 2026, e, a seguir, os escalões aplicáveis aos rendimentos de 2026, que serão considerados na declaração de IRS de 2027.

    Escalões de IRS 2025

    A tabela de escalões abaixo apresenta a estrutura dos escalões e taxas para o rendimento obtido em 2025 para o IRS 2026.

    EscalãoRendimento coletávelTaxa normalTaxa média
    1.ºAté 8.059€12,50%12500%
    2.ºDe mais de 8.059€ até 12.160€16,00%13680%
    3.ºDe mais de 12.160€ até 17.233€21,50%15982%
    4.ºDe mais de 17.233€ até 22.306€24,40%17897%
    5.ºDe mais de 22.306€ até 28.400€31,40%20794%
    6.ºDe mais de 28.400€ até 41.629€34,90%25277%
    7.ºDe mais de 41.629€ até 44.987€43,10%26607%
    8.ºDe mais de 44.987€ até 83.696€44,60%34929%
    9.ºSuperior a 83.696€48,00%

    Tabela 1: escalões de irs 2025 para o IRS 2026

    Esta tabela demonstra como os rendimentos obtidos em 2025 são enquadrados nos diferentes escalões de IRS, que servem de base à declaração de IRS entregue em 2026. Cada escalão corresponde a um intervalo de rendimento coletável e tem associadas duas taxas: a taxa normal, aplicada apenas à parte do rendimento que entra nesse escalão, e a taxa média, que reflete o peso global do imposto até esse nível de rendimento.

    A leitura da tabela deve ser feita de forma progressiva: à medida que o rendimento aumenta, só a parcela adicional passa a ser tributada a taxas mais elevadas, mantendo-se as taxas inferiores nas parcelas anteriores. A seguir, vamos verificar a tabela correspondente aos escalões de IRS 2026.

    Escalões de IRS 2026

    A tabela abaixo apresenta a estrutura dos escalões e taxas para o rendimento obtido em 2026 para o IRS 2027.

    EscalãoRendimento coletávelTaxa normalTaxa média
    1.ºAté 8.342€12,50%12500%
    2.ºDe mais de 8.342€ até 12.587€15,70%13579%
    3.ºDe mais de 12.587€ até 17.838€21,20%15823%
    4.ºDe mais de 17.838€ até 23.089€24,10%17705%
    5.ºDe mais de 23.089€ até 29.397€31,10%20579%
    6.ºDe mais de 29.397€ até 43.090€34,90%25130%
    7.ºDe mais de 43.090€ até 46.566€43,10%26472%
    8.ºDe mais de 46.566€ até 86.634€44,60%34856%
    9.ºSuperior a 86.634€48,00%

    Tabela 2: escalões de irs 2026 para o IRS 2027

    Esta tabela apresenta os escalões e taxas aplicáveis aos rendimentos de 2026, que serão considerados na declaração de IRS a entregar em 2027. Em comparação com o ano anterior, observam-se ajustes nos limites dos escalões e nas taxas, refletindo as alterações previstas no Orçamento do Estado.

    Tal como nos restantes anos, o IRS continua a seguir uma lógica progressiva, onde o imposto é calculado por partes e não sobre a totalidade do rendimento a uma única taxa. Esta estrutura ajuda a compreender o impacto do IRS no rendimento, mas o valor final depende também de fatores como deduções fiscais, agregado familiar e o mínimo de existência, temas especialmente relevantes ao analisar o IRS aplicado às famílias. Vejamos a seguir.

    Escalões de IRS e famílias: como são aplicadas as deduções?

    Quando se fala em escalões de IRS, é importante perceber que o imposto não é calculado somente com base no rendimento.

    Por exemplo, os fatores que têm um peso determinante no valor a pagar ou a receber são:

    • situação familiar: o IRS considera se o contribuinte é solteiro, casado ou unido de facto, bem como o número de dependentes. Estas variáveis podem reduzir o imposto a partir de benefícios específicos associados ao agregado familiar;
    • deduções fiscais: despesas como saúde, educação, habitação ou despesas gerais familiares permitem abater parte do imposto apurado, reduzindo o valor final a pagar ou aumentando o eventual reembolso;
    • o mínimo de existência: esta regra garante que, após o cálculo do IRS, o rendimento líquido não fique abaixo de um valor mínimo definido por lei. Sempre que a aplicação normal dos escalões coloque o contribuinte abaixo desse limite, o imposto é reduzido ou eliminado.

    Isto significa que dois contribuintes com o mesmo rendimento podem pagar IRS diferente, consoante a sua situação familiar e as deduções a que têm direito. Assim, compreender os escalões é fundamental, mas insuficiente sem olhar para estes fatores em conjunto.

    É esta combinação entre escalões, mínimo de existência e deduções que explica porque o IRS não deve ser analisado somente pela tabela de taxas, um ponto que levanta muitas dúvidas e que nos leva naturalmente às perguntas frequentes sobre escalões de IRS.

    Perguntas frequentes (FAQs) sobre escalões de IRS

    Os escalões de IRS podem trazer algumas dúvidas, sobretudo porque envolvem conceitos que nem sempre são explicados de forma simples. Para esclarecer as questões mais comuns, reunimos abaixo as perguntas frequentes sobre os escalões do imposto, com respostas objetivas e focadas no que realmente importa para compreender o impacto do imposto no dia a dia.

    O que são exatamente os escalões de IRS?

    Os escalões de IRS são intervalos de rendimento coletável utilizados para calcular o imposto sobre o rendimento. Em vez de aplicar uma única taxa a todo o rendimento, o sistema fiscal português divide o rendimento em patamares, aos quais correspondem taxas diferentes.

    O que é rendimento coletável?

    O rendimento coletável é o valor sobre o qual o IRS é efetivamente calculado. Não corresponde ao total do rendimento que uma pessoa recebe ao longo do ano, mas sim ao valor final após a aplicação das deduções fiscais permitidas pela lei.

    É este valor que determina:

    • em que escalão de IRS o contribuinte se enquadra;
    • como o rendimento é distribuído pelos escalões;
    • quais são as taxas aplicáveis em cada parte do cálculo.

    Este valor é crucial para calcular o imposto que o contribuinte deverá pagar ou receber de reembolso.

    Quantos escalões de IRS existem em Portugal?

    Atualmente, existem nove escalões de IRS em Portugal. Cada escalão corresponde a um intervalo de rendimento coletável e está associado a uma taxa normal e a uma taxa média.

    Como sei em que escalão de IRS estou?

    Para saber em que escalão de IRS se encontra, deve olhar para o seu rendimento coletável anual e compará-lo com a tabela de escalões em vigor.

    É importante lembrar que:

    • o escalão define até onde vai o seu rendimento nos limites de cada faixa;
    • isso não significa que todo o rendimento seja tributado à taxa desse escalão. Somente as parcelas do rendimento que se enquadram em cada escalão são tributadas à taxa correspondente.

    O cálculo do IRS é sempre feito de forma progressiva, ou seja, por partes, aplicando a taxa mais baixa nas primeiras faixas e taxas mais altas apenas sobre o valor que excede os limites de cada escalão.

    Se subir de escalão, vou pagar mais imposto sobre todo o rendimento?

    Não. Este é um dos mitos mais comuns sobre o IRS. Quando um contribuinte sobe de escalão, apenas a parte do rendimento que ultrapassa o limite do escalão anterior passa a ser tributada à taxa mais elevada. O rendimento que ficou nos escalões inferiores mantém as taxas mais baixas. Subir de escalão não significa, portanto, pagar mais IRS sobre todo o rendimento.

    O que acontece aos escalões de IRS quando o salário aumenta?

    Quando o salário aumenta, o rendimento coletável pode passar a abranger um escalão superior. No entanto, isso não anula as taxas mais baixas aplicadas às primeiras parcelas do rendimento.

    Por exemplo, se um aumento salarial fizer com que uma parte do rendimento passe para o escalão seguinte, apenas essa parte adicional é tributada a uma taxa mais elevada. O restante rendimento continua a ser tributado como antes.

    É esta lógica que explica porque um aumento de salário nem sempre resulta num aumento significativo do IRS e porque é importante analisar o impacto do imposto de forma global, e não apenas pelo escalão atingido.

    Estas perguntas frequentes podem esclarecer algumas dúvidas sobre os escalões. Para saber mais sobre o tema do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS), leia o nosso guia completo de IRS.

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    Imagem ilustrativa

    Como a UniPeople pode ajudar no IRS em 2026?

    A UniPeople é uma empresa com uma visão 360º das finanças pessoais, que acompanha os contribuintes na leitura e compreensão de temas fiscais como o IRS, sempre com uma abordagem clara, prática e adaptada à realidade de cada pessoa ou família.

    No IRS de 2026, a UniPeople pode ajudar a:

    • clarificar como funcionam os escalões de IRS, as taxas e o impacto no rendimento líquido;
    • compreender as deduções fiscais;
    • interpretar corretamente a retenção na fonte e o resultado da declaração sobre os rendimentos;
    • otimizar a entrega do IRS, evitando, erros e aproveitando a informação disponível.

    Se quer continuar a esclarecer dúvidas e a tomar decisões mais informadas sobre o seu IRS e outros temas fiscais, acompanhe o blog da UniPeople e subscreva a newsletter para receber conteúdos explicados de forma simples, atualizada e útil para o dia a dia. Caso queira saber quanto vai ganhar em 2026, utilize o nosso simulador de salário líquido gratuito e descubra qual é o seu rendimento mensal.

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